"Já não sabemos o que fazer, já pedimos socorro de todos os lados", desabafa uma moradora. Uma liderança local questiona: "O fogo tá chegando de novo no poste de energia, vamos ficar sem energia de novo?" Outro líder comunitário critica a falta de apoio: "Tão falando que o fogo aqui já apagou, mas na verdade nem os bombeiros voltaram, e as máquinas que tinham mandado para cavar quebraram, e até hoje nada de mandarem de volta. O amor ao próximo está onde?"
Esse incêndio florestal em Magebras evidencia a inoperância dos órgãos públicos na prevenção e combate aos desastres naturais. A situação ressalta a necessidade urgente de brigadas treinadas e equipadas dentro das comunidades para enfrentar emergências como esta.
Além disso, o episódio reflete o agravamento das calamidades climáticas no Arquipélago do Marajó, que enfrenta as consequências das mudanças climáticas de forma intensa. Em 2023, o município de Portel, também no Marajó, chegou a ser, em dados momento, o que mais registrou focos de incêndio no Pará e o quinto no Brasil durante o período conhecido como verão amazônico, no segundo semestre do ano.
Em um ano eleitoral, é fundamental que medidas concretas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas sejam incorporadas nos planos de governo e nas gestões municipais já em exercício. Recentemente, o Observatório do Marajó publicou um monitoramento baseado nos dados do INPE que, apesar de mostrar uma diminuição dos incêndios em 2024 em comparação a 2023, acendeu um alerta: os índices de incêndio em agosto já evidenciam alertas de queimadas que no ano anterior foram mais intensos em outubro e novembro.
Luis Barbosa
Marajoando Cultural
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